O Mysterio Da Estrada De Cintra. Cartas Ao Diário De Noticias
1870
'O Mysterio da Estrada de Cintra' is a collection of letters by Eça de Queirós and Ramalho Ortigão, first published in 1870. The narrative unfolds through a physician's account of a mysterious incident on the road to Cintra, involving masked assailants and a corpse. This work combines elements of mystery and social commentary, reflecting the complexities of human relationships and societal issues in 19th-century Portugal. It is notable for its early exploration of detective fiction within the Portuguese literary context.
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“Éramos verdadeiramente os antípodas um do outro, postos na mesma latitude pela estupidez do acaso, e separados logo para sempre por aquelas palavras terríveis que me zuniam nos ouvidos como os prenúncios de uma congestão: «Para o que eu prestar, estou sempre às ordens!»””
— Eça de Queirós
“Quem mais do que tu, sentiu, amou, estremeceu, corou, quis, venceu? Quantas lágrimas causaste! Quantas loucas palpitações! Quantos desejos para ti voaram como bandos de pombas! Quantas vozes perdidas te chamaram! Quanta fé fizeste renegar! Quanta altivez fizeste sucumbir! E tanta vida, tanta ação, tanta vontade, um tão grande centro vital como tu foste, um grumete amarra-lhe duas balas aos pés e atira com ele ao mar! E aqui jaz o ruído do vento, e aqui jaz a espuma da onda! De que te serviu o ser, o que fizeste ao sangue, á vontade, aos nervos, ao pensamento, que trouxeste do seio da matéria? Que ideia deixaste, que memória, que piedade? Que foste tu mais do que um corpo belo, desejado e fotografado? Fizeste parte, durante a vida, daquelas insensíveis belezas naturais, que o homem usa e arremessa. Foste como uma camélia, ou como a pena de um pavão. Foste um adorno, não foste um caráter. Nunca tiveste um lugar definido na vida, como não terás um túmulo certo na morte! Adeus pois para sempre, oh doce efémera! o teu destino é a dispersão! Por isso aqui estás só! Os que te amaram onde estão?””
— Eça de Queirós
“De que te serviu o ser, o que fizeste ao sangue, à vontade, aos nervos, ao pensamento, que trouxeste do seio da matéria? Que ideia deixaste, que memória, que piedade? Que foste tu mais do que um corpo belo, desejado e fotografado? Fizeste parte, durante a vida, daquelas insensíveis belezas naturais, que o homem usa e arremessa. Foste como uma camélia, ou como a pena de um pavão. Foste um adorno, não foste um carácter. Nunca tiveste um lugar definido na vida, como não terás um túmulo certo na morte! Adeus, pois, para sempre, oh doce efémera! O teu destino é a dispersão!””
— Eça de Queirós
“Mas amamos todos aqueles lugares em que por qualquer sentimento ou por qualquer ideia a nossa natureza palpitou fortemente. E ali tinham ficado lágrimas minhas””
— Eça de Queirós
“Le testimonianze delle nostre prime follie di cuore le abbiamo bruciate molto tempo fa, quelle delle nostre stravaganze di spirito desideriamo che restino. A vent’anni è necessario essere bizzarri forse non sempre perché il mondo progredisca, ma per lo meno perché il mondo si agiti.””
— Eça de Queirós
“Definisco il mio stato d’animo in modo preciso e spaventoso: quando mio marito mi stringeva con trasporto la mano, soffrivo come se l’altro mi avesse tradita!””
— Eça de Queirós
“E poi è crudele, ed è necessario dirlo: c’è sempre un momento in cui una donna chiede a se stessa se realmente siano state le grandi qualità morali del suo amante a soggiogarla. Perché in quel caso ci sarebbero delle giustificazioni. E c’è una profonda umiliazione nella nostra coscienza quando arriviamo a convincerci che se amiamo un uomo non è stata solo la nobiltà delle sue idee e l’ideale dei suoi sentimenti a dominarci, ma un non-so-che, in cui c’entra forse il colore dei suoi capelli e il nodo della sua cravatta. Siamo franche, perché mascherare la pochezza delle nostre inclinazioni? Perché colorare di ideali l’origine volgare delle nostre preferenze? Non voglio dire che l’integrità morale non sia un poderoso incentivo alla simpatia istintiva, ma ciò che in realtà ci colpisce è l’aspetto esteriore di un uomo. Tutte coloro che leggeranno queste dolorose confidenze si consultino nel silenzio del proprio cuore e dicano che cosa ha suscitato in loro quella sensazione: se è stato il carattere o l’aspetto. E le più franche diranno che nella vita influisce forse di più il colore del frac che la grandezza d’animo.””
— Eça de Queirós
“Per questo non ho scrupoli. Le anime estremamente sfortunate sono come i bambini: devono mostrarsi nude.””
— Eça de Queirós
“Eu não creio nem também descreio de coisa alguma que ouço - responde-me ele. - É meu sistema admitir tudo quanto esteja para se provar e duvidar de tudo aquilo que se me apresente como coisa positiva. É o único meio prudente de nunca nos afastarmos muito da verdade.””
— Eça de Queirós






