O Primo Bazilio: Episodio Domestico
1878
Among the wittiest and most ruthless portraits of bourgeois hypocrisy in nineteenth-century literature, O Primo Bazilio dissects the polite surfaces of Lisbon society with a surgeon's precision. Luiza lives a life of comfortable tedium with her husband Jorge, her days measured by domestic rituals and the small satisfactions of a respectable marriage. When her cousin Bazilio arrives in Lisbon, the stagnant waters of her existence begin to stir. What unfolds is a quiet devastation: an affair conducted in drawing rooms and tea cups, where the real transgression lies not in the act itself but in the devastating realization of how little passion, even infidelity, can change anything at all. Eça de Queirós writes with devastating clarity about the gap between what his characters pretend to be and what they actually are. His irony cuts deep, his observation of daily life is microscopic and often hilarious, and his judgment is merciless without ever being cruel. This novel remains essential reading for anyone fascinated by the comfortable lies that sustain middle-class life and the small, shattering truths that undo them.
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“E Luiza tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que estira num banho tépido: sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!””
— Eça de Queirós
“Dera-se então toda a um cão, o «Bilro»; uma criada despedida deu-lhe por vingança rolha cozida; o «Bilro» rebentou, e tinha-o agora empalhado na sala de jantar.””
— Eça de Queirós
“- Realmente vale bem a pena estar uma pobre de Cristo a privar-se, a passar uma vida de coruja, a mortificar-se, para vir um dia uma febre, um ar, uma soalheira, e boas noites, vai-se para o Alto de S. João! Tó rola!””
— Eça de Queirós
“Escutava, com a cabeça apoiada à mão: aqueles sons entravam-lhe na alma com a doçura de vozes místicas que a chamavam: parecia-lhe que ia ser levada por elas, se desprendia de tudo o que era terrestre e agitado, se achava numa praia deserta, junto ao mar triste, sob um frio luar - e ali, puro espírito, livre das misérias carnais, rolava nas ondulações do ar, tremia nos raios luminosos, passava sobre as urzes nos sopros salgados...””
— Eça de Queirós
“E com a voz estrangulada através dos dentes cerrados: - Olhe que nem todos os papéis foram prò lixo!””
— Eça de Queirós






