O Mandarim
1880
''O Mandarim'' is a novel by Eça de Queirós, first published in 1880, that follows Theodoro, a humble clerk in Portugal who becomes obsessed with a legend about a wealthy Mandarim in China. When he learns that he can inherit the Mandarim's fortune by tolling a bell that signals the Mandarim's death, he faces a moral dilemma that challenges his values and ambitions. The narrative delves into themes of desire, guilt, and the consequences of one's actions, making it a notable exploration of wealth and morality in 19th-century Portuguese fiction.
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“Pouco a pouco esta certeza ergueu-se, petrificou-se na minha alma, e como uma coluna num descampado dominou toda a minha vida interior: de sorte que, por mais desviado caminho que tomassem, os meus pensamentos viam sempre negrejar no horizonte aquela memória acusadora; por mais alto que se levantasse o voo das minhas imaginações, elas terminavam por ir fatalmente ferir as asas nesse monumento de miséria moral.””
— Eça de Queirós
“No fundo da China existe um Mandarim mais rico de que todos os reis de que a Fábula ou a História contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste. Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que toques essa campainha, posta a teu lado, sobre um livro. Ele soltará apenas um suspiro, nesses confins da Mongólia. Será então um cadáver: e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição dum avaro. Tu, que me lês e és um homem mortal, tocarás tu a campainha?””
— Eça de Queirós
“Ou pelo rapapé ou pelo incensador, o homem prudente deve ir fazendo assim uma série de adulações, desde a Arcada até ao Paraíso. Com um compadre no bairro, e uma comadre mística nas alturas - o destino do bacharel está seguro.””
— Eça de Queirós
“Infelizmente corcovo - do muito que verguei no espinhaço, na Universidade, recuando como uma pega assustada diante dos senhores lentes; na repartição, dobrando a fronte ao pó perante os meus directores-gerais. Esta atitude de resto convém ao bacharel; ela mantém a disciplina num Estado bem organizado; e a mim garantia-me a tranquilidade dos domingos, o uso de alguma roupa branca, e vinte mil réis mensais.””
— Eça de Queirós
“As felicidades haviam de vir: e para as apressar eu fazia tudo o que devia como português e como constitucional: - pedia-as todas as noites a Nossa Senhora das Dores, e comprava décimos da lotaria.””
— Eça de Queirós
“Desde então uma saciedade enervante mantem-me semanas inteiras n'um sophá, mudo e soturno, pensando na felicidade do não-ser...””
— Eça de Queirós






