Oliveira Martins: A Critico Litterario, O Economista, O Historiador, O Publicista, O Politico
Oliveira Martins: A Critico Litterario, O Economista, O Historiador, O Publicista, O Politico
A literary and critical analysis written in the late 19th century. This work delves into the life and contributions of Oliveira Martins, covering his roles as a literary critic, economist, historian, publicist, and politician. The book likely discusses thematic elements regarding national identity and the impact of historical events on Portuguese literature and society. In this analysis, Quental explores the essence of Portuguese nationalism, particularly during the 16th century, and how it shaped national literature and identity. He examines the significance of Luís de Camões and his epic poem ''Os Lusíadas,'' using this as a lens to reveal deeper insights about Portuguese society, highlighting themes of heroism, patriotism, and the psychological and moral dimensions of national consciousness. Quental argues that the decline of the Portuguese national spirit has parallels in the deterioration of its literary output, thus establishing a connection between morality, politics, and literature. Ultimately, he suggests that a renewal of social and moral values could lead to a renaissance in Portuguese literature and identity.
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“DIVINA COMÉDIAErguendo os braços para o céu distanteE apostrofando os deuses invisíveis,Os homens clamam:”
— Antero de Quental
“Amor VivoAmar! mas dum amor que tenha vida...Não sejam sempre tímidos harpejos,Não sejam só delírios e desejosDuma doida cabeça escandecida...Amor que viva e brilhe! luz fundidaQue penetre o meu ser- e não só beijosDados no ar- delírios e desejos-Mas amor... dos amores que têm vida...Sim, vivo e quente! e já a luz do diaNão virá dissipá-lo nos meus braçosComo névoa da vaga fantasia...Nem murchará do Sol à chama erguida...Pois que podem os astros dos espaçosContra uns débeis amores... se têm vida?””
— Antero de Quental
“Estreita é do prazer na vida a taça:Largo, como o oceano é largo e fundo,E como ele em venturas infecundo,O cális amargoso da desgraça.E contudo nossa alma, quando passaincerta peregrina, pelo mundo,Prazer só pede à vida, amor fecundo,É com essa esperança que se abraça.””
— Antero de Quental
“Noite, vão para ti meus pensamentos,Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,Tanto estéril lutar, tanta agonia,E inúteis tantos ásperos tormentos…Tu, ao menos, abafas os lamentos,Que se exalam da trágica enxovia…O eterno Mal, que ruge e desvaria,Em ti descansa e esquece alguns momentos…Oh! Antes tu também adormecessesPor uma vez, e eterna, inalterável,Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,Dormisse no teu seio inviolável,Noite sem termo, noite do Não-ser.””
— Antero de Quental
“Se nos negam aqui o pão e o vinho,Avante! É largo, imenso, esse horizonte…Não, não se fecha o Mundo! E além, defronte,E em toda a parte há luz, vida e carinho!””
— Antero de Quental



