Sonetos
1880
A collection of philosophical sonnets written during the late 19th century. The work explores profound themes such as existence, love, and mortality, reflecting the complexities of human experience and emotion. Quental, a prominent figure in Portuguese literature, uses this format to articulate his introspections and existential musings. The collection features a variety of sonnets, each delving into different facets of the human condition. Quental addresses concepts of love and death, often personifying them as central characters, such as in ''Mors-Amor,'' where he juxtaposes love with the inevitability of mortality. Other sonnets reflect on existential questions, spirituality, and the often bleak search for meaning, resonating with the struggles of the human soul. The language is rich and evocative, inviting readers to engage deeply with the philosophical inquiries Quental presents, making this work not just a poetic exploration, but a passionate quest for understanding life's mysteries.
Editions
X-Ray
“DIVINA COMÉDIAErguendo os braços para o céu distanteE apostrofando os deuses invisíveis,Os homens clamam:”
— Antero de Quental
“Amor VivoAmar! mas dum amor que tenha vida...Não sejam sempre tímidos harpejos,Não sejam só delírios e desejosDuma doida cabeça escandecida...Amor que viva e brilhe! luz fundidaQue penetre o meu ser- e não só beijosDados no ar- delírios e desejos-Mas amor... dos amores que têm vida...Sim, vivo e quente! e já a luz do diaNão virá dissipá-lo nos meus braçosComo névoa da vaga fantasia...Nem murchará do Sol à chama erguida...Pois que podem os astros dos espaçosContra uns débeis amores... se têm vida?””
— Antero de Quental
“Estreita é do prazer na vida a taça:Largo, como o oceano é largo e fundo,E como ele em venturas infecundo,O cális amargoso da desgraça.E contudo nossa alma, quando passaincerta peregrina, pelo mundo,Prazer só pede à vida, amor fecundo,É com essa esperança que se abraça.””
— Antero de Quental
“Noite, vão para ti meus pensamentos,Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,Tanto estéril lutar, tanta agonia,E inúteis tantos ásperos tormentos…Tu, ao menos, abafas os lamentos,Que se exalam da trágica enxovia…O eterno Mal, que ruge e desvaria,Em ti descansa e esquece alguns momentos…Oh! Antes tu também adormecessesPor uma vez, e eterna, inalterável,Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,Dormisse no teu seio inviolável,Noite sem termo, noite do Não-ser.””
— Antero de Quental
“Se nos negam aqui o pão e o vinho,Avante! É largo, imenso, esse horizonte…Não, não se fecha o Mundo! E além, defronte,E em toda a parte há luz, vida e carinho!””
— Antero de Quental





