Sonetos De Anthero
1861
A collection of sonnets written during the mid-19th century. This book encapsulates the essence of romantic poetry, focusing on themes of love, existence, and the human experience through the lyrical form of the sonnet. Quental, a prominent figure of the Portuguese literary scene, uses this collection to explore profound emotional landscapes, highlighting his introspective and philosophical musings. The collection comprises various sonnets that delve into the complexities of human emotions, spirituality, and personal reflection. Quental often juxtaposes beauty with despair, as he navigates through feelings of longing, disillusionment, and existential angst. Each sonnet encapsulates a distinct emotional experience, inviting readers to ponder their own inner lives. The poet's contemplations around love often reveal a yearning for connection, while his reflections on existence carry an undertone of melancholy. Through meticulously crafted verses, Quental articulates a deep sense of introspection that resonates with anyone grappling with the intricacies of life and the quest for meaning.
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“DIVINA COMÉDIAErguendo os braços para o céu distanteE apostrofando os deuses invisíveis,Os homens clamam:”
— Antero de Quental
“Amor VivoAmar! mas dum amor que tenha vida...Não sejam sempre tímidos harpejos,Não sejam só delírios e desejosDuma doida cabeça escandecida...Amor que viva e brilhe! luz fundidaQue penetre o meu ser- e não só beijosDados no ar- delírios e desejos-Mas amor... dos amores que têm vida...Sim, vivo e quente! e já a luz do diaNão virá dissipá-lo nos meus braçosComo névoa da vaga fantasia...Nem murchará do Sol à chama erguida...Pois que podem os astros dos espaçosContra uns débeis amores... se têm vida?””
— Antero de Quental
“Estreita é do prazer na vida a taça:Largo, como o oceano é largo e fundo,E como ele em venturas infecundo,O cális amargoso da desgraça.E contudo nossa alma, quando passaincerta peregrina, pelo mundo,Prazer só pede à vida, amor fecundo,É com essa esperança que se abraça.””
— Antero de Quental
“Noite, vão para ti meus pensamentos,Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,Tanto estéril lutar, tanta agonia,E inúteis tantos ásperos tormentos…Tu, ao menos, abafas os lamentos,Que se exalam da trágica enxovia…O eterno Mal, que ruge e desvaria,Em ti descansa e esquece alguns momentos…Oh! Antes tu também adormecessesPor uma vez, e eterna, inalterável,Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,Dormisse no teu seio inviolável,Noite sem termo, noite do Não-ser.””
— Antero de Quental
“Se nos negam aqui o pão e o vinho,Avante! É largo, imenso, esse horizonte…Não, não se fecha o Mundo! E além, defronte,E em toda a parte há luz, vida e carinho!””
— Antero de Quental





