Os Sonetos Completos De Anthero De Quental
1886
Published in 1886, 'Os Sonetos Completos De Anthero De Quental' is a collection of poetry by Portuguese poet Antero de Quental. This work features a comprehensive compilation of his sonnets, exploring existential themes such as love, loss, and the quest for meaning. Quental's poetry reflects the emotional and philosophical struggles of the late 19th century, blending mystical and critical thought through vivid imagery and contemplative reflections. The preface introduces the poet's complex nature and sets the stage for an in-depth engagement with his poignant artistic vision.
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“DIVINA COMÉDIAErguendo os braços para o céu distanteE apostrofando os deuses invisíveis,Os homens clamam:”
— Antero de Quental
“Amor VivoAmar! mas dum amor que tenha vida...Não sejam sempre tímidos harpejos,Não sejam só delírios e desejosDuma doida cabeça escandecida...Amor que viva e brilhe! luz fundidaQue penetre o meu ser- e não só beijosDados no ar- delírios e desejos-Mas amor... dos amores que têm vida...Sim, vivo e quente! e já a luz do diaNão virá dissipá-lo nos meus braçosComo névoa da vaga fantasia...Nem murchará do Sol à chama erguida...Pois que podem os astros dos espaçosContra uns débeis amores... se têm vida?””
— Antero de Quental
“Estreita é do prazer na vida a taça:Largo, como o oceano é largo e fundo,E como ele em venturas infecundo,O cális amargoso da desgraça.E contudo nossa alma, quando passaincerta peregrina, pelo mundo,Prazer só pede à vida, amor fecundo,É com essa esperança que se abraça.””
— Antero de Quental
“Noite, vão para ti meus pensamentos,Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,Tanto estéril lutar, tanta agonia,E inúteis tantos ásperos tormentos…Tu, ao menos, abafas os lamentos,Que se exalam da trágica enxovia…O eterno Mal, que ruge e desvaria,Em ti descansa e esquece alguns momentos…Oh! Antes tu também adormecessesPor uma vez, e eterna, inalterável,Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,Dormisse no teu seio inviolável,Noite sem termo, noite do Não-ser.””
— Antero de Quental
“Se nos negam aqui o pão e o vinho,Avante! É largo, imenso, esse horizonte…Não, não se fecha o Mundo! E além, defronte,E em toda a parte há luz, vida e carinho!””
— Antero de Quental





