Uma Família Ingleza: Scenas Da Vida Do Porto
1868
''Uma Família Ingleza: Scenas da Vida do Porto'' is a novel by Júlio Dinis, first published in 1868. Set in Porto, it follows Mr. Richard Whitestone, a respected English businessman, and his family, exploring their interactions within the expatriate community and the influence of British customs on Portuguese society. The narrative centers on the romantic entanglements of Carlos, Richard's son, and Cecília, the daughter of his bookkeeper, highlighting themes of cultural identity and familial relationships amidst the backdrop of 19th-century Porto.
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“A causa disto é o sermos nós uma nação pequena e pouco à moda, acanhada e bisonha nesta grande e luzidia sociedade europeia, onde por obséquio somos admitidos, dando-nos já por muito lisonjeados, quando os estrangeiros se deixam, benevolamente, admirar por nós.””
— Júlio Dinis
“Mr. Richard odiava cordialmente a França. Ou ele não fosse inglês.””
— Júlio Dinis
“É mais fácil, e mais vezes se realiza, a transição da vida errante, tumultuosa e agitada para estes monótonos prazeres do viver doméstico, do que a inversa; como se o pendor natural da índole do homem o chamasse mais para ali.””
— Júlio Dinis
“A julgar pela aparência de ligeira mortificação, que tomava nesses instantes o rosto de Cecília, devia supor-se que existia nela uma forte antipatia para com o predilecto do pai. Mas será prudente não confiar demasiado no rigor lógico destas deduções fisionómicas, e muito mais em mulheres.””
— Júlio Dinis
“Mais uma vez se verificou a eterna luta entre a teoria e a prática; uma, com seus instintos de jovem, com seus hábitos de atividade, com seus amores pelo futuro e pelo progresso; outra, com a frieza da idade madura, com uma índole, essencialmente prosaica e conservadora, fiel ao passado, que foi seu mestre, desconfiada do futuro que não conhece, severa para com as ideias novas, cujos humores travessos a impacientam.””
— Júlio Dinis
“A dupla qualidade, doce e amarga, da saudade faz com que uns, para quem a primeira predomina, gostem de renová-la; e que outros, pelo contrário lhe sentem mais o travor do que a doçura, se apressem a fugir-lhe. Manuel Quintino era dos últimos.””
— Júlio Dinis
“Nós temos o defeito daqueles provincianos que, nos círculos da capital, sufocam envergonhados, como coisa de mau gosto, uns restos de amor à terra, que ainda os punge, e deitam-se a exaltar, com afetação altamente cómica, os prazeres e as comoções da vida das grandes cidades, que ainda mal gozaram e ainda mal saboreiam; - falam dos teatros, dos bailes, da cantora da moda, do escândalo do dia, sem se atreverem a dizer uma palavra pelo menos das árvores, das paisagens, das tradições, dos costumes locais, do conchego doméstico da sua província, o que porventura os outros lhe escutariam com mais vontade; e no fim de tudo ficam mais ridiculamente provincianos do que nunca.””
— Júlio Dinis




