Humus
''Humus'' is a novel by Raul Brandão, published in 1917, that presents a profound exploration of life within a decaying villa. The narrative unfolds through two main monologues: one from a primary speaker and the other from a lunatic philosopher, reflecting on themes of monotony, death, and the human condition. The characters embody stagnation and despair, revealing the contrast between their mundane existence and deeper emotional undercurrents. This work is notable for its rich imagery and philosophical depth, making it a significant piece in Portuguese literature.
Editions
X-Ray
“Chove. Cada vez vejo mais turvo, cada vez tenho mais medo. Estamos enterrados em convenções até ao pescoço: usamos as mesmas palavras, fazemos os mesmo gestos. A poeira entranhada sufoca-nos. Pega-se. Adere. Há dias em que não distingo estes seres da minha própria alma; há dias em que através das máscaras vejo outras fisionomias, e, sob a impassibilidade, dor; há dias em que o céu e o inferno esperam e desesperam. Pressinto uma vida oculta, a questão é fazê-la vir à supuração.Esta manhã de chuva é um minuto no rodar infinito dos séculos, e os seres que passam meras sombras. Tudo isto me pesa e pesa-me também não viver. Do fundo de mim mesmo protesto que a vida não é isto. A árvore cumpre, o bicho cumpre. Só eu me afundo soterrado em cinza. Terei por força de me habituar à aquiescência e à regra?””
— Raul Brandão
“Parece que a dor é inseparável da ternura, como a morte é inseparável da vida””
— Raul Brandão
“A vila é um simulacro. Melhor: a vida é um simulacro.””
— Raul Brandão
“Ilusão, mentira, estúpido? Mas eu é que faço a verdade e a mentira. Eu é que a crio à custa de dor. Dou-lhe o meu bafo e a minha alma. Deus cria-me a mim - eu crio Deus. Um verdade pode ser abjecta, uma mentira pode construir outro mundo - outro Universo - outro céu.””
— Raul Brandão
“A mesma interrogação se formula em todas as almas: quer então dizer que só vivi uma vida fictícia ao lado da vida e que perdi o melhor da existência em aparências? Quer então dizer que tudo para que vivi não existe?””
— Raul Brandão
“Este momento trágico, esta pausa, este horror em que cada um se vê na sua essência, em que cada ser se encontra sós a sós com a sua própria alma, reduzido sem artifícios à sua própria alma, só tem outro a que se compare, aquele em que cada um vê a alma dos outros. Porque, por melhor ou pior que tenhamos julgado os outros, vimo-los sempre através de nós mesmos.””
— Raul Brandão
“A maior parte da gente, nasce, morre sem ter olhado a vida cara a cara. (...) Não há máscara que não custe a arrancar - há mentiras que têm raízes mais fundas que a verdade.””
— Raul Brandão
“O tempo era limitado, a paciência pegajosa, o gesto lento. Agora que a vida dura séculos ninguém espera um minuto.””
— Raul Brandão
“A maior parte das criaturas não só se ignoram como não passam nunca da camada superficial.””
— Raul Brandão



