
Afonso Henriques de Lima Barreto was a prominent Brazilian novelist and journalist, recognized as a key figure in Brazilian Pre-Modernism. Born in Rio de Janeiro, Barreto's literary career was marked by his keen observations of Brazilian society and politics, particularly during the tumultuous early years of the First Brazilian Republic. His most notable work, 'Triste Fim de Policarpo Quaresma,' serves as a poignant satire that critiques the national identity and the disillusionment of the Brazilian populace, reflecting his deep engagement with the socio-political issues of his time. Barreto's writing is characterized by its incisive social commentary and a unique narrative style that blends realism with elements of satire. He often explored themes of identity, class struggle, and the complexities of Brazilian culture, making his works significant in the context of Brazilian literature. Despite facing personal struggles, including mental health issues and societal prejudice, Barreto's legacy endures through his contributions to literature, influencing future generations of writers and shaping the discourse around Brazilian identity and modernity.
“E ela pensava como esta nossa vida é variada e diversa, como ela é mais rica de aspectos tristes que de alegres, e como na variedade da vida a tristeza pode mais variar que a alegria e como que dá o próprio movimento da vida.”
“Em nome da religião têm-se praticado muitos crimes; em nome da arte têm-se justificado muitas sem-vergonhices; mas, atualmente, é a ciência que justifica crimes e também assaltos aos minguados orçamentos do país.”
“Vivendo há trinta anos quase só, sem se chocar com o mundo, adquirira uma sensibilidade muito viva e capaz de sofrer profundamente com a menor coisa. Nunca sofrera críticas, nunca se atirou à publicidade, vivia imerso no seu sonho, incubado e mantido vivo pelo calor dos seus livros. Fora deles, ele não conhecia ninguém; e, com as pessoas com quem falava, trocava pequenas banalidades, ditos de todo dia, coisas com que a sua alma e o seu coração nada tinham que ver. Nem mesmo a afilhada o tirava dessa reserva, embora a estimasse mais que a todos. Esse encerramento em si mesmo deu-lhe não sei que ar de estranho a tudo, às competições, às ambições, pois nada dessas coisas que fazem os ódios e as lutas tinha entrado no seu temperamento. Desinteressado de dinheiro, de glória e posição, vivendo numa reserva de sonho, adquirira a candura e a pureza d'alma que vão habitar esses homens de uma ideia fixa, os grandes estudiosos, os sábios, e os inventores, gente que fica mais terna, mais ingênua, mais inocente que as donzelas das poesias de outra época. É raro encontrar pessoas assim, mas as há e, quando se as encontra, mesmo tocadas de um grão de loucura, a gente sente mais simpatia pela nossa espécie, mais orgulho de ser humano e mais esperança na felicidade da raça.”